terça-feira, 2 de julho de 2024

PROFESSOR PALESTINO ENTREVISTADO PELA AND

Entrevista completa, no link: https://www.youtube.com/watch?v=kI3dERJQS9I&t=520s



 Jornalista da "A Nova Democracia". Ana Nascimento:

Minha primeira pergunta para você, professor Muslin o que aconteceu quando você chegou no Brasil, eu gostaria de saber se você poderia nos explicar com mais detalhes como tudo aconteceu?
 
Obrigado. Eu sou um professor palestino acadêmico que mora em Kuala Lumpur, eu moro aqui há vinte anos. Eu trabalho em uma Think Tank que tenta promover algum entendimento sobre o Oriente Médio e claro que por ser um palestino eu sempre falo da Questão Palestina. Eu participei de conferências internacionais colaborei na elaboração de livros e capítulos de livros, publiquei artigos na Palestina e em diversas línguas, vir ao Brasil era para ser uma mera visita familiar. Eu vim ao brasil há mais ou menos um ano e meio atrás para visitar o meu irmão e a minha mãe se juntou a nós naquela época e eu pensei que seria bom visitar o meu irmão novamente. Após todos esses anos no Brasil e foi uma vigem muito longa com a família e após quase 40 horas de viagem trânsito e longas viagens, chegamos em São Paulo, no aeroporto de Guarulhos. Agora, foi uma recepção muito inesperada. Nós saímos do avião e uma vez que pisamos no aeroporto, fomos abordados por policiais federais e eu não me recordo se eram quatro ou cinco policiais, todos com distintivos e todos eles nos prenderam no aeroporto. Eles vieram diretamente até mim, chamando me chamando pelo meu nome “senhor Muslin”. E eu respondi, “sim, sou o senhor Muslin” eles me levaram para uma sala de interrogatório por umas duras horas, eu perdi a noção do tempo, pois foi uma experiência muito desagradável. 
Eles perguntaram sobre meu trabalho, Palestina, perguntas esquisitas, incluindo qual mesquita eu frequentava. Porque a polícia liga para qual mesquita eu vou para rezar? A polícia perguntou o que eu acho sobre a situação de Gaza e assim por diante, é claro, apesar de não ter sido uma coisa comum de acontecer, isso nunca havia acontecido comigo antes, então eu tentei entrar em uma conversa com eles para ver onde isto estava indo, então comecei a me sentir muito desconfortável, um oficial americano se juntou à conversa, ela era bastante provocativa, não sei ao certo se era brasileira ou americana, deixo isso para meu advogado e à corte para resolver este problema, ela começou a perguntar coisas provocativas sobre minhas opiniões sobre a Palestina, sobre a Resistência Palestina. Então, essa conversa desagradável de duas ou três horas acabou isto quando um policial sênior entrou na sala e disse: “você está proibido de frequentar o Brasil”. Então eu perguntei; e a minha família? Então ele disse que todos estavam negados de entrar no Brasil você sabe, minha família é da Malásia, então eu pensei que diferentes leis se aplicariam a eles. Mas, quando pedi esclarecimentos: “por que estou sendo negado de visitar o Brasil?”. Não tem esclarecimento.” Eles disseram.
 Então, nos escoltaram para outro aeroporto, eu senti e notei que haviam muitos refugiados chegando naquela área provavelmente buscando asilo tive até uma conversa com um deles eles me disseram que estavam voltando do asilo então não sabia tanto sobre tais leis. Eu não estava interessado em fazer isto apesar da oportunidade de estar ali, eu nunca pedi por asilo durante as 48 horas que estivemos no aeroporto porque era uma visita social, eu tinha  a passagem de volta para duas semanas, depois planejávamos visitar meu irmão, encontramos membros da família e voltar para a Malasia, para trabalhar e para nossos compromissos, é uma infelicidade que eles insistiram que não poderíamos entrar no país, contatei meu irmão, amigos.
 Ativistas no Brasil conseguiram um advogado, o que aconteceu foi para toda a mídia, nós contrariamos o pedido da polícia na corte mas, infelizmente, penso que nosso advogado de defesa não teve tanto tempo e não teve tanta chance para me defender na corte porque planejamos apelar à decisão da justiça enviei ao advogado todos os documentos para confrontar essas alegações. Você sabe, a polícia não estava agindo por eu ter violado  as leis brasileiras eu tenho respeito, eu tenho muito respeito pelo Brasil, o povo brasileiro e a lei brasileira.  Eu sei muito bem que a lei brasileira não criminaliza nenhum grupo da Resistência Palestina e sei muito bem que o posicionamento do Brasil sobre a Palestina é claro. Brasil é contra o genocídio em Gaza, e está prestando apoio ao estado Palestino e a liberdade do povo Palestino, então as perguntas foram muito esquisitas e a decisão final foi me banir, também foi muito esquisita.
Seguirei perseguindo esse objetivo legalmente, tenho muito respeito pela lei no Brasil e eu respeito o processo legal, eu espero ser bem sucedido em contornar essa decisão espero poder retornar ao Brasil de novo. Mas dessa vez, se eu tiver a oportunidade de visitar o Brasil. Não visitarei apenas meu irmão e minha família, mas meus vários amigos que expressam solidariedade, que escrevem cartas, provavelmente visitarei universidades e construirei, você sabe, boas relações acadêmicas com instituições acadêmicas do Brasil.

Então, há sempre uma razão para tudo que ocorre na vida. Apesar de ter sido desanimador isto após uma longa viagem, não consegui ver meu irmão, nem por cinco minutos como eu pedi para a polícia algumas vezes e meu irmão não foi permitido de entrar, na área fechada que eu estava no aeroporto, apesar de ter sido desapontante, eu sinto que haverão melhores oportunidades no futuro e isto é muito pequeno perto do que está ocorrendo com o povo em Gaza na Palestina no momento. Enquanto nos fomos detidos no aeroporto e submetidos a uma série de experiências desagradáveis, há dezenas de crianças palestinas sendo bombardeadas, sendo perseguida em gaza, então eu ainda sou grato pelo que ocorreu, foi uma experiência que abriu meus olhos para o poder do infame lobby sionista que ocorre até mesmo no Brasil. Isto provavelmente abriu os olhos do governo brasileiro e do povo brasileiro que forças obscuras estão tentando influenciar, o progresso, e a política do país. Não penso que o USA, Israel ou qualquer potência estrangeira deveriam ter autoridade ou poder. O Brasil deveria ter autoridade ou poder para decidir por uma grande, grande, nação como o Brasil e decidir que entra e quem sai.

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