Entrevista completa, no link: https://www.youtube.com/watch?v=kI3dERJQS9I&t=520s
Jornalista da "A Nova Democracia". Ana Nascimento:
Minha primeira pergunta para você,
professor Muslin o que aconteceu quando você chegou no Brasil, eu gostaria de
saber se você poderia nos explicar com mais detalhes como tudo aconteceu?
Obrigado. Eu sou um professor palestino acadêmico
que mora em Kuala Lumpur, eu moro aqui há vinte anos. Eu trabalho em uma Think Tank
que tenta promover algum entendimento sobre o Oriente Médio e claro que por ser
um palestino eu sempre falo da Questão Palestina. Eu participei de conferências
internacionais colaborei na elaboração de livros e capítulos de livros,
publiquei artigos na Palestina e em diversas línguas, vir ao Brasil era para
ser uma mera visita familiar. Eu vim ao brasil há mais ou menos um ano e meio
atrás para visitar o meu irmão e a minha mãe se juntou a nós naquela época e eu
pensei que seria bom visitar o meu irmão novamente. Após todos esses anos no
Brasil e foi uma vigem muito longa com a família e após quase 40 horas de
viagem trânsito e longas viagens, chegamos em São Paulo, no aeroporto de
Guarulhos. Agora, foi uma recepção muito inesperada. Nós saímos do avião e uma
vez que pisamos no aeroporto, fomos abordados por policiais federais e eu não
me recordo se eram quatro ou cinco policiais, todos com distintivos e todos
eles nos prenderam no aeroporto. Eles vieram diretamente até mim, chamando me
chamando pelo meu nome “senhor Muslin”. E eu respondi, “sim, sou o senhor
Muslin” eles me levaram para uma sala de interrogatório por umas duras horas,
eu perdi a noção do tempo, pois foi uma experiência muito desagradável.
Eles
perguntaram sobre meu trabalho, Palestina, perguntas esquisitas, incluindo qual
mesquita eu frequentava. Porque a polícia liga para qual mesquita eu vou para
rezar? A polícia perguntou o que eu acho sobre a situação de Gaza e assim por
diante, é claro, apesar de não ter sido uma coisa comum de acontecer, isso
nunca havia acontecido comigo antes, então eu tentei entrar em uma conversa com
eles para ver onde isto estava indo, então comecei a me sentir muito
desconfortável, um oficial americano se juntou à conversa, ela era bastante
provocativa, não sei ao certo se era brasileira ou americana, deixo isso para
meu advogado e à corte para resolver este problema, ela começou a perguntar
coisas provocativas sobre minhas opiniões sobre a Palestina, sobre a Resistência
Palestina. Então, essa conversa desagradável de duas ou três horas acabou isto
quando um policial sênior entrou na sala e disse: “você está proibido de
frequentar o Brasil”. Então eu perguntei; e a minha família? Então ele disse
que todos estavam negados de entrar no Brasil você sabe, minha família é da
Malásia, então eu pensei que diferentes leis se aplicariam a eles. Mas, quando pedi
esclarecimentos: “por que estou sendo negado de visitar o Brasil?”. Não tem
esclarecimento.” Eles disseram.
Então, nos escoltaram para outro aeroporto, eu
senti e notei que haviam muitos refugiados chegando naquela área provavelmente
buscando asilo tive até uma conversa com um deles eles me disseram que estavam
voltando do asilo então não sabia tanto sobre tais leis. Eu não estava
interessado em fazer isto apesar da oportunidade de estar ali, eu nunca pedi
por asilo durante as 48 horas que estivemos no aeroporto porque era uma visita
social, eu tinha a passagem de volta
para duas semanas, depois planejávamos visitar meu irmão, encontramos membros
da família e voltar para a Malasia, para trabalhar e para nossos compromissos,
é uma infelicidade que eles insistiram que não poderíamos entrar no país,
contatei meu irmão, amigos.
Ativistas no Brasil conseguiram um advogado, o que
aconteceu foi para toda a mídia, nós contrariamos o pedido da polícia na corte
mas, infelizmente, penso que nosso advogado de defesa não teve tanto tempo e
não teve tanta chance para me defender na corte porque planejamos apelar à
decisão da justiça enviei ao advogado todos os documentos para confrontar essas
alegações. Você sabe, a polícia não estava agindo por eu ter violado as leis brasileiras eu tenho respeito, eu
tenho muito respeito pelo Brasil, o povo brasileiro e a lei brasileira. Eu sei muito bem que a lei brasileira não
criminaliza nenhum grupo da Resistência Palestina e sei muito bem que o posicionamento
do Brasil sobre a Palestina é claro. Brasil é contra o genocídio em Gaza, e
está prestando apoio ao estado Palestino e a liberdade do povo Palestino, então
as perguntas foram muito esquisitas e a decisão final foi me banir, também foi
muito esquisita.
Seguirei perseguindo esse objetivo
legalmente, tenho muito respeito pela lei no Brasil e eu respeito o processo
legal, eu espero ser bem sucedido em contornar essa decisão espero poder
retornar ao Brasil de novo. Mas dessa vez, se eu tiver a oportunidade de
visitar o Brasil. Não visitarei apenas meu irmão e minha família, mas meus
vários amigos que expressam solidariedade, que escrevem cartas, provavelmente
visitarei universidades e construirei, você sabe, boas relações acadêmicas com
instituições acadêmicas do Brasil.
Então, há sempre uma razão para tudo que
ocorre na vida. Apesar de ter sido desanimador isto após uma longa viagem, não
consegui ver meu irmão, nem por cinco minutos como eu pedi para a polícia
algumas vezes e meu irmão não foi permitido de entrar, na área fechada que eu
estava no aeroporto, apesar de ter sido desapontante, eu sinto que haverão
melhores oportunidades no futuro e isto é muito pequeno perto do que está
ocorrendo com o povo em Gaza na Palestina no momento. Enquanto nos fomos
detidos no aeroporto e submetidos a uma série de experiências desagradáveis, há
dezenas de crianças palestinas sendo bombardeadas, sendo perseguida em gaza,
então eu ainda sou grato pelo que ocorreu, foi uma experiência que abriu meus
olhos para o poder do infame lobby sionista que ocorre até mesmo no Brasil. Isto
provavelmente abriu os olhos do governo brasileiro e do povo brasileiro que forças
obscuras estão tentando influenciar, o progresso, e a política do país. Não
penso que o USA, Israel ou qualquer potência estrangeira deveriam ter
autoridade ou poder. O Brasil deveria ter autoridade ou poder para decidir por
uma grande, grande, nação como o Brasil e decidir que entra e quem sai.
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